Entidade percorre as linhas da região, encontra veículos sucateados e prepara levantamento sobre o transporte intermunicipal.
O Foro Metropolitano da Foz do Rio Itajaí Açu coorganizou, na noite de quinta-feira (6), no Plenário Vereador Walter Eilers, na Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú, reunião pública sobre o transporte coletivo intermunicipal da região. O encontro foi realizado em parceria com o gabinete do vereador Eduardo Zanatta e reuniu estudantes da Udesc e da Univali, trabalhadores e representantes de entidades da sociedade civil.
Na reunião, a entidade informou que está em curso um levantamento próprio sobre as condições do serviço. O trabalho, ainda em elaboração, reúne relatos de usuários e verificação em campo: integrantes da associação passaram a utilizar as linhas para conferir pessoalmente o que é denunciado.
“Andamos utilizando o transporte e identificamos diversos ônibus já sucateados”, relatou a 2ª Secretária do Foro, Patrícia Silveira Martins.
O 1º Secretário, Anderson Luiz Goba, situou o papel da entidade e apontou as queixas mais recorrentes.
“Não é de hoje que a gente escuta reclamações: que não atende, principalmente nos finais de semana, que os horários são longos. E nós estamos aqui para ouvir as autoridades e a população”, disse.

Dois reajustes em menos de cinco meses
O encontro foi motivado pelos dois reajustes aplicados à tarifa intermunicipal em menos de cinco meses. O primeiro entrou em vigor em 6 de março, autorizado pela Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina (Aresc) por meio da Resolução nº 384. O segundo passou a valer em 27 de julho. A passagem entre Balneário Camboriú e Itajaí custa hoje R$ 8,45.
Para o Foro, a questão central não é o valor isolado da passagem, mas a assimetria de informação. O reajuste de serviço público concedido é autorizado por uma agência estadual, enquanto o usuário que paga a conta não tem acesso à planilha de custos que fundamenta a decisão nem às contrapartidas exigidas da concessionária.
“Tarifa de serviço público concedido não é preço de mercado. É cálculo, e cálculo se audita. A pergunta da entidade não é sobre o preço: é sobre o contrato. O que ele exige da empresa em troca do reajuste, quantos veículos, em que estado de conservação, quantos horários — e quem verifica se está sendo cumprido”, afirma o presidente do Foro, o advogado Rafael Mayer da Silva.
Gratuidade dentro da cidade, tarifa mais cara para atravessar a ponte
A entidade aponta ainda uma contradição regional. Em 30 de julho, Balneário Camboriú republicou a licitação do programa Tarifa Zero municipal, com valor ampliado para R$ 56,7 milhões. Enquanto o deslocamento dentro da cidade caminha para a gratuidade, atravessar para o município vizinho encareceu duas vezes no mesmo ano.
“A região metropolitana existe no papel, nos mapas e nas leis. No ponto de ônibus, ela não existe. Quem mora em uma cidade e trabalha na outra paga a conta dessa falta de integração”, diz Mayer.

Um tema antigo para a entidade
O transporte público regional não é pauta nova para a associação. O Foro já promoveu debate ao vivo sobre o futuro do transporte público na região da Foz do Rio Itajaí Açu, registrado em seu canal no YouTube, e vem acompanhando o tema desde então, inclusive em participações na imprensa regional.
Na mobilidade rodoviária, a entidade obteve na Justiça as decisões que garantiram a execução das pontes das marginais da BR-101, entre Itajaí e Balneário Camboriú, e, em 2025, decisão definitiva obrigando o Estado a concluir as travessias e a sinalização da SC-486.
Canal de relatos e Grupo de Trabalho de Mobilidade
O Foro anuncia a abertura de um canal permanente de relatos sobre o transporte intermunicipal, para onde qualquer morador dos nove municípios da região pode enviar reclamações, fotos e registros de horários. O material recebido integrará o levantamento em elaboração.
Os relatos podem ser enviados pelo WhatsApp (47) 99754-5632 ou pelo e-mail contato@forodeitajai.org.br.
Em paralelo, a entidade organiza um Grupo de Trabalho de Mobilidade, aberto a voluntários, com atuação em tarefas específicas e prazo definido. Quem quiser participar pode se manifestar pelos mesmos canais.
Sobre o Foro Metropolitano
Associação civil sem fins lucrativos fundada em 2015, com sede em Itajaí, que congrega a sociedade civil dos nove municípios da Região Metropolitana da Foz do Rio Itajaí Açu na defesa de interesses difusos e coletivos. Atua com base em seis princípios: imparcialidade, neutralidade, independência, moralidade, voluntariado e universalidade.
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