fbpx

Artigo: O legado da Volvo Ocean Race para o turismo regional e o desenvolvimento sustentável

Por Sofia Willert da Rocha Vitório

A Volvo Ocean Race, competição esportiva profissional mais longa e difícil do mundo, retorna a Itajaí pela terceira vez consecutiva, consagrando a cidade – nacional e internacionalmente – como o Polo Náutico do Brasil.

A competição, que se iniciou em 1973 e está em sua 13a edição, já passou pela cidade nas edições de 2011-2012 e 2014-2015. Única parada do Brasil e da América Latina, a Itajaí Stopover sempre foi eleita uma das melhores pelos envolvidos no evento, tanto pela receptividade dos itajaienses, quanto pela estrutura do evento e ações de sustentabilidade promovidas.

Na edição de 2017-2018, as 7 equipes irão percorrer 45 mil milhas náuticas a bordo de embarcações Volvo 65, passando por 4 oceanos, 6 continentes e 12 cidades-sede ao redor do globo ao longo dos oito meses da competição, que iniciou em outubro de 2017 em Alicante, na Espanha, e terminará em junho de 2018 em Haia, na Holanda.

Um dos grandes diferenciais desta edição foi o incentivo à participação feminina e a formação de equipes mistas, totalizando 18 mulheres entre os 73 velejadores, entre elas a brasileira Martine Grael, campeã olímpica e primeira brasileira a participar da regata, seguindo os passos de seu pai, Torben Grael – que participou da Volvo Ocean Race por 3 vezes, ganhando a edição de 2008-2009 como comandante da Ericsson 4. Martine faz parte da tripulação da equipe da AkzoNobel.

O evento conta com diversas opções de gastronomia, entretenimento, atrações culturais, feira de negócios e ações sociais, educacionais e de promoção da sustentabilidade. A expectativa para esta edição é de atrair mais de 400 mil pessoas, a maioria catarinenses, e injetar mais de 82 milhões de reais na economia, gerando ainda 2000 empregos diretos e movimentando cerca de 50 setores.

Mas não é só durante o evento que a cidade e a região se beneficiam: a Volvo Ocean Race vem deixando um legado para Itajaí e para o Estado desde a sua primeira edição. Itajaí se consolidou como Polo Náutico Brasileiro e a ANI – Associação Náutica de Itajaí – ganhou relevância, foi criado o Itajaí Sailing Team, que vem participando de competições de vela nacionais, e instalada a Marina Itajaí. Houve expansão do potencial econômico da região, recebendo novas indústrias ligadas ao mundo náutico e logístico. A capacidade hoteleira do município dobrou depois da edição 2014-2015, havendo ampliação dos leitos de hotéis tradicionais e a instalação de redes internacionais. A rede de restaurantes também foi aumentada, e os funcionários passaram a ser treinados para falar outros idiomas e atender a pessoas de diferentes culturas.

Por conta da repercussão positiva na mídia nacional e internacional pelos mais de 300 jornalistas de todo o mundo que aportam na cidade para cobrir o evento, toda a Costa Verde & Mar vem ganhando status dentro do turismo brasileiro. Há projeção de maiores investimentos para o turismo de Itajaí, com a criação de um Plano Municipal de Turismo que engloba projetos a curto, médio e longo prazo, como a concepção de uma nova área de entretenimento em torno do Mercado Público e a reurbanização do Centro Comercial Portuário, na Vila da Regata, a criação do Parque Ambiental da Praia Brava, de um museu náutico, um boulevard e um novo terminal de passageiros, e a revitalização do farol de Cabeçudas, entre outras ações.

Mas o maior legado, sem dúvidas, são as ações de educação ambiental e sustentabilidade promovidas pelo evento e que ganham força na região, como a “Ação Juntos Pelo Rio”, que foi criada durante a stopover 2011-2012 pelo Porto de Itajaí e Semasa, em parceria com entidades públicas e privadas, e rendeu à cidade o prêmio de “Melhor Parada Sustentável” daquela edição. A ação é realizada anualmente, com o objetivo de limpar as margens do Rio Itajaí-Açu em Itajaí e Navegantes, e praias de Itajaí, e neste ano, reuniu mais de 800 voluntários e aproximadamente 20 embarcações, sendo retiradas toneladas de lixo, especialmente plásticos, cordas e restos de redes de pesca.

O tema desta edição da Volvo Ocean Race é o cuidado com os oceanos, e há uma intensa campanha de conscientização da população em relação ao uso de plásticos descartáveis através da campanha “Meu copo eco”, em que o visitante paga o valor de R$ 5,00 por um copo reutilizável, que pode guardar como souvenir ou devolver após o uso, recebendo de volta o valor pago. Os restaurantes devem utilizar pratos biodegradáveis, e há diversas lixeiras de coleta seletiva espalhadas pelo evento e placas e campanhas informativas sobre o problema do lixo nos oceanos.

Também vêm sendo realizados no auditório eventos sobre o assunto, como o “Encontro de Jovens pelos Oceanos”, promovido pela FAMAI e o Município de Itajaí, que aconteceu no dia 06/04 e teve a participação de diversas ONGs catarinenses como o Projeto Somos do Mar, Projeto Monitoramento Mirim Costeiro, Oceano na Estrada, Ecosurf, Ouvidoria do Mar, Ocean Drop e Frente Parlamentar de Combate ao Lixo no Mar, de Florianópolis.

No dia 18/04, ocorrerá o seminário técnico-científico “O Futuro dos Oceanos”, a partir das 12:30, organizado pela FAMAI, Município de Itajaí e Universidade Federal de Santa Catarina, com apoio da Organização das Nações unidas (ONU). No seminário, o tema será discutido com estudantes, profissionais e a comunidade, e será assinado um protocolo de intenções do Município com a campanha global “Clean Seas: Turn the tide on plastics”, da ONU Meio Ambiente, um importante avanço para a nossa cidade em termos de esforços para conservação ambiental.

Também é possível visitar e conhecer o Veleiro Eco da UFSC, um dos primeiros veleiros do Brasil desenvolvido e equipado especialmente para fazer expedições, pesquisas oceanográficas e projetos de sustentabilidade.

Muito mais que um evento esportivo mundial que traz inúmeros benefícios econômicos para a nossa região, a Volvo Ocean Race é também um importante instrumento para a realização de mudanças positivas na comunidade, tanto por se esforçar em educar a população em relação a temas tão importantes e negligenciados quanto a sustentabilidade e o lixo, quanto pela pressão que exerce sobre os órgãos públicos e empresas privadas envolvidas para que atendam às suas exigências ambientais para a realização do evento na nossa cidade.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: